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PRÁTICAS INOVADORAS NA EDUCAÇÃO

Com a presença de 260 diretores de escolas e de várias autoridades (Prefeito, Reitores, Vereadores), em noite de júbilo, 13 de novembro, o Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR) homenageou, pela primeira vez, os educadores que se destacaram em práticas inovadoras em três subtemas.

Esses subtemas são valores que julgamos tão relevantes na Educação Contemporânea quanto o bom ensino curricular. A premiação é sempre um momento de enlevo e exultamos de alegria com o reconhecimento público. E também foram congratuladas todas as escolas participantes pelo conjunto dos projetos apresentados, voltando todos para as suas casas com o sentimento do dever cumprido. E quais são esses três subtemas? Inclusão social, sustentabilidade e inovação pedagógica.

A escola que não inova não é sustentável. A propósito, o diretor da Escola Pequeno Polegar, uma das premiadas, foi enfático: “invisto de 10 a 12% do faturamento da escola em inovação”. Inovação e sustentabilidade são condições necessárias, porém não suficientes, pois quanto mais tecnológica é a sociedade, mais necessita de valores humanos. E entendamos inclusão social na sua acepção mais abrangente, pela prática da solidariedade. Pesquisas científicas comprovam que a ação generosa reduz a ansiedade, a depressão e revigora os praticantes em bem-estar, saúde, pois libera endorfinas.

Importante ressaltar que o Sinepe/PR representa 1.740 instituições privadas de ensino regular, às quais somam-se ainda as Academias e Escolas de Idiomas, sendo que nas escolas regulares somos responsáveis por 730 mil alunos da Ed. Infantil ao Superior, o que corresponde a 16,5% das matrículas na Ed. Básica e 69% nas faculdades. Cumpre destacar que, em Curitiba, a subdivisão é praticamente equânime, pois na Educação Básica, 1/3 das matrículas estão em escolas estaduais, 1/3 nas municipais e 1/3 em particulares.

Enquanto categoria econômica as escolas privadas representam 1,4% do PIB paranaense e é um segmento altamente competitivo e a maior riqueza está na pluralidade de nossas escolas, escolas que são diversas, mas não necessariamente adversas.

E a pergunta que não quer calar: como será 2016? Nos dez anos, de 2004 a 2014, as matrículas das escolas privadas do Paraná cresceram 28% na Educação Básica e aproximadamente 39% na Educação Superior presencial. No entanto, estatísticas preliminares indicam que, em 2015, a curva apresentou o seu ponto de inflexão. Desemprego, dívidas, perda do poder aquisitivo, impactarão negativamente as matrículas em 2016. Estudo promovido pelo SEMESP detecta um impacto brutal nas matrículas da Educação Superior no 2.º semestre de 2015 onde prevalece o regime semestral: queda de quase 30%, provocado especialmente pelo imbróglio do FIES. O aumento da inadimplência já é percebido pelos gestores e até mensurado pela Serasa Experian, que registrou um incremento de 22%, quando se compara o 1.º semestre de 2015 com o mesmo período de 2014.

Portanto, no horizonte de 2016, vislumbram-se nuvens borrasquentas com a imbricação, a superposição de três crises simultâneas: política,

econômica e ética. Mas como me disse o reitor de uma Universidade, há poucos dias: crise? Tire o S, CRIE! Os gestores mais antigos bem lembram de um período que metaforicamente representou o Cabo das Tormentas das escolas particulares: foi durante os governos Sarney e Collor, com a inflação de 2% ao dia, congelamento das mensalidades, Chiarelli, Constituinte, planos econômicos, medidas provisórias e na sequência, a implantação da URV, no início do Plano Real. Muito, muito trabalho, mas sobrevivemos e com as asas fortalecidas para voos mais altos.

Nenhuma missão é mais nobre que a missão do educador e como educador eu não tenho o direito de ser mediano. Temos um produto nobilíssimo: nossas crianças, adolescentes e jovens. E nada de grandioso pode ser obtido sem entusiasmo, perseverança, racionalidade e muito trabalho.


Jacir J. Venturi, ex-diretor de escolas e coordenador da Universidade Positivo, é presidente do Sinepe/PR.

Jacir Venturi