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DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE

Celebra-se em 5 de junho o Dia Mundial do Meio Ambiente. É insensato e irônico pois nós, humanos, que nos proclamamos inteligentes, somos os únicos a degradar o nosso habitat. E a Mãe Natureza é, a um só tempo, nobre e rude em seu agir. É agradecida com quem a trata bem, além de ser espontaneamente dadivosa, bela e vivificante. Porém, sabe ser pedagógica, ou até mesmo vingativa aos 7 bilhões de terráqueos: “se alterarem o equilíbrio ambiental, eu os arruíno” – diz ela.

Eventos meteorológicos extremos como inundações, secas, tufões, tornados, furacões, incêndios, são exemplos eloquentes de catástrofes naturais e o seu incremento no decurso das últimas décadas é incontestável. A Universidade Católica de Lovain, na Bélgica – um centro de estudos reconhecido em todo o mundo – há 35 anos coteja estatísticas sobre os efeitos de uma natureza injuriada: os desastres naturais saltaram de 50 em 1975 para 373 em 2010. A década passada foi a mais quente desde 1850. O Ártico perdeu 40% de seu gelo permanente desde 1985. Desorientados pelo clima caótico, alguns pássaros estão mudando rotas de migração e correm o risco de extinção. Parte do lençol freático está irremediavelmente poluído pela decomposição do lixo tóxico. Em vez de se preservar o verde e a permeabilidade do solo, dê-lhe cimento e asfalto, provocando inundações urbanas.

Um estudo do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) estima que o ser humano ultrapassou em 20% os limites de exploração que o planeta pode suportar sem ser degradado. A Terra já não mais nos aguenta. É a marcha da insensatez do homem deletério, consumista e hedonista. Cálculo de alguns cientistas indicam que se todo o bem-estar dos países desenvolvidos for universalizado, necessitaremos de três Terras.

A bem da verdade, o planeta será salvo não apenas pelos governos ou ONGs, ou pela nossa comiseração, mas pelas ações concretas de cada um de nós. Não basta condoer-se com o desmatamento da floresta amazônica, com a morte dos ursos polares, com a extinção do mico-leão-dourado ou do minhocuçu.

A falta de proatividade se desvela naquilo que está cotidianamente ao alcance de todos: o índice de separação de lixo está estacionado há anos, apesar de todas as campanhas da mídia e das escolas. Em contrapartida, cresce em 6,8% a produção anual de resíduos atingindo em 2010 a cifra de 71 bilhões de toneladas, que corresponde a 376 kg/ano por brasileiro (de mamando a caducando). Se esse número é menor no meio rural, triplica nas cidades maiores. 

Não estamos desenvolvendo a cultura do consumo responsável. Sim, embalagens e sacolas que envolvem os produtos adquiridos, além de elevar o custo, têm como destino o aterro sanitário, lixões a céu aberto, mananciais e rios.

Levantamento realizado pelo IPEA avaliou que apenas 13% de todo o lixo produzido no país é separado por coleta seletiva e consegue retornar para o sistema produtivo, na forma de matéria-prima reutilizável e transforma-se em insumo e renda.

E para concluir, vale a blague que em vez de “meio” ambiente deveria ser inteiro, inteiríssimo! Nós, humanos, vivemos numa espaçonave sem saída de emergência.

Jacir J. Venturi, professor, diretor e vice-presidente do Sinepe/PR.

Jacir Venturi